domingo, 30 de junho de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ó MINHA BRANCA E PEQUENINA LUA



POESIA

Soneto à lua

Rio de Janeiro

Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!

Vinicius de Moraes
Rio de Janeiro, 1938.

sábado, 22 de junho de 2013

CONVENTO COM VISTA - São Pedro de Alva


Vae para um Convento!Falhei na Vida. Zut! Ideaes caidos! 
Torres por terra! As arvores sem ramos! 
Ó meus amigos! todos nós falhamos... 
Nada nos resta. Somos uns perdidos. 

Choremos, abracemo-nos, unidos! 
Que fazer? Porque não nos suicidamos? 
Jezus! Jezus! Resignação... Formamos 
No mundo, o Claustro-pleno dos Vencidos. 

Troquemos o burel por esta capa! 
Ao longe, os sinos mysticos da Trappa 
Clamam por nós, convidam-nos a entrar... 

Vamos semear o pão, podar as uvas, 
Pegae na enxada, descalçae as luvas, 
Tendes bom corpo, Irmãos! Vamos cavar... 

António Nobre, in 'Só'

sexta-feira, 21 de junho de 2013

UMA ÁRVORE SERÁ SEMPRE UMA ÁRVORE





As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
a crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
e entretanto dar flores.

António Gedeão

quarta-feira, 19 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

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